[Sagradas Palavras do Masaaki-Sama] Dispensa molhos. Usar maionese então, nem pensar. Eis que aqui temos o planeta Júpiter feito por ninguém mais ninguém menos que a minha esposa, Mami, a bela vegana em ascensão! Errei. É um takoyaki[1]. De tanto contemplar as cavidades da chapa para grelhar takoyaki, colocada sobre a mesa onde fazemos refeições, meus olhos entraram no modo órbita de reconhecimento planetário. E, para ser preciso, trata-se de um takoyaki sem polvo. Há quem sugira que bastaria simplesmente remover a palavra tako (polvo) do nome, mas aí o prato passaria a chamar-se apenas yaki (grelhar), o que não faria sentido nenhum. Enquanto era envolvido pela névoa que subia do arroz e da sopa de missô, assistia, ao vivo e em cores, à criação dos takoyakis pelas mãos da minha esposa, ali mesmo na minha frente. Despejar a massa nas cavidades jupiterianas da máquina de grelhar takoyaki (já estou chamando de jupiteriano mesmo); escutar o som dela fritando; esperar um pouco e virar, fazendo-a rodar na cavidade; o “uau!” das crianças, o meu “oh!”, o “uau!” da minha esposa; a alga aonori [A alga aonori é uma alga marinha seca e moída, fina, usada na culinária japonesa para polvilhar em pratos] caindo sobre cada takoyaki: a sensacional sensação de isso ser um festival. Mas o que quero enfatizar é o sabor. Modéstia à parte, o sabor é o mesmo de um takoyaki convencional. Crocante por fora, e suculento por dentro. E ainda por cima comê-lo recém-feito, soprando enquanto estamos com ele na boca e, a cada mordida, dizendo: “Tá quente!” A textura da orelha-de-judas lembra um pouco a do polvo. Então, certa vez tentamos cortá-la em pedaços maiores para fazer com que se parecessem com pedaços de polvo. Parecia uma grande descoberta, mas o resultado foi mediano. A receita atual da Mami é definitivamente melhor e gostaria de recomendá-la. Deixem-me abrir aqui um parêntese sobre a orelha-de-judas. Como a Mami explica na receita, a orelha-de-judas deve obrigatoriamente ser secada ao sol (principalmente no período do meio-dia de 2 a 3 dias, caso seja comprada uma que não tenha passado por esse processo). Os fungos, como a orelha-de-judas, surgiram antes mesmo que animais e plantas existissem como grupos separados e são, portanto, muito mais antigos que os dinossauros. Bem, poupemos os detalhes. A orelha-de-judas é um ingrediente milagroso, rico em vitamina D (que fortalece os ossos) que normalmente só se encontrariam em alimentos de origem animal (principalmente em peixes). Orelha-de-judas. Ah, orelha-de-judas! Aqui em casa, quase não comemos cogumelos, mas a orelha-de-judas é uma exceção. Se você é vegano, não deixe de consumir orelha-de-judas. Ao ser exposta ao sol, a orelha-de-judas acumula vitamina D de forma astronômica (conexão com Júpiter). Peixe e ovo nem se comparam a ela. Quero afirmar com convicção o seguinte: o ingrediente que Deus preparou para que consumíssemos vitamina D não é o peixe, mas sim, a orelha-de-judas. Caso sigam a dieta vegana, tomem banho de sol e comam orelha-de-judas. É assim que vamos fortalecer os ossos. Principalmente as gestantes, as crianças, as pessoas com idade mais avançada e as mulheres depois da menopausa. Banho de sol e orelha-de-judas. Por favor, levem isso a sério. Por ser uma vitamina lipossolúvel, consuma-a frita ou grelhada no óleo como nesta receita, ou vamos consumir com alimentos ricos em gordura, como o gergelim. Voltemos ao tema principal. O uso da farinha de trigo faz com que a textura ao morder seja firme e precisa, enquanto o uso da farinha de arroz faz com que fique macia e de consistência elástica. Em Ossaka, é famoso o hábito de comer okonomiyaki[2] com arroz, mas aqui em casa, naturalmente, temos o combo do takoyaki – aliás, combo do takoyaki não faz jus ao arroz e à sopa de missô. Seria mais apropriado: “Arroz com sopa de missô (acompanhado de um takoyaki)”. Comemos com muito arroz mesmo. Enfim, o ponto é que esse takoyaki combina perfeitamente com arroz. A criação da Mami é um takoyaki vegano sem polvo. Enquanto observava algo surpreendente que surgiu diante dos meus olhos, que era aquela dança de planetas que na verdade eram takoyakis girando, fui tomado por uma profunda reflexão sobre as infinitas possibilidades da alimentação vegana, e meus pensamentos foram se expandindo e viajaram rumo à imensidão do Universo. Fim. ーーーー Parabéns pelo dia de hoje, o dia do sagrado nascimento do Masaaki-Sama! [Nota: o artigo original em japonês foi publicado no dia 21 de março, data do sagrado nascimento do Masaaki-Sama.] As Sagradas Palavras do Masaaki-Sama sobre as receitas da Mami-Okusama são mais cativantes do que qualquer romance que já li, e não existe obra escrita neste mundo que toque na verdade de forma tão precisa como essa! Desde as Sagradas Palavras que são proferidas nos cultos, das quais transborda o fervor pela salvação, até os textos repletos de humor e vivacidade, pelos quais faz com o pensamento percorrendo o Universo, não há outra coisa a ser feita senão tirar o chapéu para o Masaaki-Sama, diante do seu talento tão extraordinário. Soubemos que a família do Masaaki-Sama celebraria o seu sagrado nascimento com uma festa de takoyaki vegano. O “takopa” (forma abreviada de dizer “festa de takoyaki” em japonês) já é coisa do passado. Estamos agora na era da “veg takopa (festa de takoyaki vegano)”! Sigamos o exemplo da família do Masaaki-Sama e, celebrando com o coração o seu sagrado nascimento, saboreemos à vontade o nosso arroz com a sopa de missô (acompanhado de takoyaki)! 《Receita original da Mami-Okusama 👇》 A Mami-Okusama nos aconselhou que, além da orelha-de-judas, o ponto chave é inserir alga aosa [A alga aosa também é uma alga verde, mas, ao contrário da alga aonori, são flocos maiores (flocos mais “folhosos”) com sabor e aroma mais suaves]. O takoyaki vegano que o Masaaki-Sama afirma combinar perfeitamente com arroz, dispensando qualquer molho. Apresentamos, com profundo respeito e reverência, essa receita original ✨ 【 Ingredientes 】 — para cerca de 40 unidades*Massa・160g de farinha de trigo;・40g de farinha de arroz;・600ml de caldo de algas kombu;・2 colheres de chá de molho de soja;・Uma pitada de sal. *Recheio・150g de repolho (picado em cubinhos de 5 mm);・70g de cenoura (picada em cubinhos de 2 a 3 mm);・25g de gengibre em conserva vermelha (picado em cubinhos de 2–3 mm);・3g de alga aosa – alga verde em pó (solta levemente);・4g de orelha-de-judas secada ao sol (picada). *Para fritar・1 colher de sopa ou mais de óleo de gergelim. *Para finalizar・Molho de soja a gosto;・Alga aonori a gosto. 【Pré-preparo 】① Reidratar a orelha-de-judas em água e escorrer bem.※ A água do molho da orelha-de-judas é rica em nutrientes — aproveite-a no cozimento do arroz ou na sopa de missô.② Picar a orelha-de-judas reidratada em pedaços de aproximadamente 4 a 5 mm.③ Picar todos os legumes em fatias finas. 【 Modo de preparo 】① Preparar a massa・Numa tigela, misturar bem a farinha de trigo, a farinha de arroz, o caldo de algas kombu, o molho de soja e o sal.・O ideal é uma massa bastante fluida e leve.Acrescentar o repolho, a cenoura, o gengibre em conserva vermelha, a alga aosa e a orelha-de-judas, e misturar. ② Fritar (utilizando uma máquina de takoyaki de ferro)・Aquecer bem a máquina de takoyaki em fogo médio por 2 ou 3 minutos para que fique adequadamente preaquecida.・Untar bem com óleo não apenas as cavidades, mas toda a superfície da chapa.・Despejar a massa.◎ O segredo para um resultado fofinho é colocar massa além das cavidades, até cobrir toda a superfície da chapa.・Aguardar 1 a 2 minutos sem mexer, até que a parte de baixo firme.・Com um palito, empurrar as bordas da massa para dentro e ir moldando cada bolinha girando-a.・Continuar girando e cozinhando por mais 3 ou 4 minutos. Quando a superfície estiver crocante e dourada, está pronto! ③ Finalizar com molho de soja・Com o takoyaki quase pronto, pincelar levemente com molho de soja.・Girar e cozinhar por mais 10 ou 15 segundos.◎ Um aroma tostado e irresistível de molho de soja se espalhará pelo ambiente! ④ Para servir・Dispor no prato e polvilhar alga aonori.◎ Um aroma de mar se eleva suavemente, e o takoyaki fica simplesmente perfeito![1] Takoyaki, que são bolinhos esféricos, é um prato tradicional da culinária japonesa de Ossaka, preparado numa chapa especial com cavidades. Geralmente é feito com uma massa à base de farinha de trigo e caldo à base de peixe que contém ovo, recheada com pedaços de polvo (tako, em japonês), gengibre em conserva vermelha, e normalmente é polvilhado bonito secado ralado e alga aonori [A alga aonori é uma alga marinha seca e moída, fina, usada na culinária japonesa para polvilhar em pratos].[2] Okonomiyaki, “grelhado a gosto”, em tradução livre, é um prato tradicional da culinária japonesa, principalmente em Ossaka e Hiroshima, que é uma espécie de panqueca salgada espessa, feita com uma massa à base de farinha de trigo, ovo, caldo de peixe e repolho picado, à qual se acrescentam os ingredientes de preferência de cada um, preparado numa chapa quente.