Sagradas Palavras do Masaaki-Sama Braseiro. O homem tem que se calar e mandar brasa. Afinal de contas, o que há no som da palavra “shitirin” [ao pé da letra, shitirin significa “sete argolas”, mas o sentido é “braseiro”, em português] que transmite uma energia tão poderosa e vigorosa? Qualquer pensamento intrigante como: “O quê? Se...sete argolas?”, é dissipado instantaneamente. Quando se assa no braseiro, tudo transborda de vitalidade. Se um marido quer expressar gratidão à sua esposa no White Day, não há ferramenta mais adequada do que essa. [Nota: no Japão, há o costume de as mulheres darem um presente, geralmente chocolate, para os homens no Dia de São Valentim (14 de fevereiro). No dia 14 de março é celebrado o White Day, que é a data em que os homens retribuem o gesto das mulheres com um presente] No ano passado, fizemos biscoitos de arroz seco ao sol que foram grelhados à mão, mas fiquei alguns dias pensando no que preparar para este ano. O que poderia rivalizar com o impacto das palavras “seco ao sol”? Foi aí que o braseiro entrou em cena. O que preparar? Que tal o festivo gohei mochi? [Nota: bolinho de arroz tradicional das regiões montanhosas do centro do Japão, que o arroz cozido é amassado, moldado em formato oval ou alongado num palito de madeira e assado na brasa, geralmente coberto com um molho à base de missô] Os lenhadores das montanhas japonesas que amassavam o arroz, assavam, esfregavam pasta de missô e engoliam tudo ainda fumegando. É isso. Gohei mochi assado no braseiro. Não há outra opção. Há algo que supere o sabor selvagem evocado pelo carvão, pelo braseiro, pela crosta tostada e pela pasta de missô? Um sabor selvagem que é um gol de placa [olha ele aqui outra vez]. Permito-me de nomeá-lo de “O Auge da Culinária Masculina” (março de 2026). Açúcar? Nem pensar, é claro. Quando se trata de doçura na culinária japonesa, a doçura vem do mirin, e ponto final. Mirin fervido para evaporar o álcool. Acrescenta-se um pouco dele para suavizar levemente a agressividade da crosta tostada e da pasta de missô. A textura? Por fora, é crocante e aromático. Por dentro, o arroz amassado no pilão é fofo e elástico ao mesmo tempo. Além disso, temos o gergelim preto torrado e moído na hora, misturado com exuberância à massa, e ainda mais gergelim preto no molho – por isso é crocante. É uma textura croc-macia-fofo-crec; uma textura da família dos croc-macios. O...o quê eu estou dizendo? Estou usando uma após a outra expressões como “os homens têm que se calar”, “sabor selvagem” e “com exuberância”, mas, sem me dar por conta, acabei fazendo um em formato de coração 💛. Que emoção. O sabor: temos a doçura do arroz, a fragrância do carvão e a salinidade implacável do missô que se fundem com as “sete camadas de texturas” numa harmonia perfeita, que dispensa comentários. Preparei para a minha esposa e para as crianças também, mas sumiu num instante. Eu mesmo só consegui dar duas mordidas, mas uma energia brotou de dentro para fora. A grandeza do gohei mochi não está apenas no sabor ou na textura. É porque o arroz e o missô — a Eucaristia para o povo japonês — já existem como uma só coisa. O glorioso corpo de Jesus e o seu precioso sangue expiatório estão completos, unidos num único espetinho. Quem imaginaria que o gohei mochi, nascido nas montanhas do interior do Japão, pudesse se unir a Jesus? Digo eu mesmo: que bela sacada! Como chamar isso senão de revolução? Eu, com as mãos pretas por causa do carvão e com o missô espalhado ao redor da boca, assim, sem me preocupar em me limpar, gostaria de ser chamado de “Senhor Gohei da Era Reiwa [Era Reiwa: nome do atual período imperial japonês, iniciado em maio de 2019]”. Mami, obrigado por tudo, sempre.Modo de preparo (3 a 4 unidades)1. Amassar cerca de 400 gramas de arroz já cozido até ficar bem grudento. Não importa o utensílio. O que importa é amassar. Amassar sem parar. Amassar enquanto pensa na pessoa amada.2. Torrar o gergelim preto na hora, moê-lo na hora e separar 3 colheres de sopa. Acrescentar 2 colheres de sopa ao arroz amassado no passo 1. Juntar também uma pitada de sal e misturar tudo.3. Qualquer coisa parecida com um espetinho serve. Eu usei um par de hashis descartáveis que estavam sobrando. Atenção: como vai ao braseiro, escolha algo que não tenha problema se queimar. Modelei o arroz do passo 2 ao redor do palito, na forma desejada, achatando bem. Como o arroz gruda nas mãos, pode-se usar filme plástico ou papel manteiga para facilitar. Fazer de 3 a 4 unidades.4. Preparar o mirin fervido para evaporar o álcool. Ferver aproximadamente 2 colheres de sopa de mirin até o cheiro de álcool desaparecer. Desligar o fogo.5. Preparar o molho: numa panelinha pequena, colocar 30 gramas de missô (qualquer tipo funciona, mas recomendo misturar dois tipos) e aproximadamente 1 colher de chá de água. Levar ao fogo baixo, mexendo até incorporar. Depois de ficar incorporado, acrescentar 1 colher de chá de mirin fervido para evaporar o álcool, misturar e desligar o fogo (o mirin fervido para evaporar o álcool que sobrar pode ser aproveitado em outra receita). Por último, misturar a colher de sopa de gergelim preto restante. O molho está pronto. A consistência pode ser ajustada com água.6. Acender o carvão e assar no braseiro. Deixar a grelha esquentar bem antes de colocar as unidades do passo 3. Não mexer imediatamente para o arroz não grudar na grelha, esperando bem para que isso não aconteça. Dependendo da intensidade do fogo, são cerca de 4 minutos. Quando aparecer uma crosta tostada com boa aparência, virar.7. Quando o lado de baixo estiver com uma cor aromática, pincelar o molho na parte de cima. Virar e pincelar o outro lado também. Após pincelar os dois lados, virar novamente e deixar assar um pouco mais. Cuidado para não passar do ponto — pode ficar com cheiro de queimado. Pronto! ーーーーーーーーーー O White Day do Masaaki-Sama que ele compartilhou conosco nesta ocasião. O Masaaki-Sama mostrando toda a sua fibra masculina foi simplesmente irresistível! Tenho certeza de que vocês, mulheres, ficaram com os olhos em formato de ❤! As Sagradas Palavras do Masaaki-Sama, carregadas de humor e cheias de vida do começo ao fim, nos deixaram com uma sensação de plenitude indescritível. O fato de o gohei mochi ser a união do arroz e do missô — a Eucaristia para o povo japonês —, e de esse prato, nascido nas montanhas do interior do Japão, se unir a Jesus. Quem, além do Masaaki-Sama, seria capaz de perceber isso? No mundo inteiro, só poderia ser ele. O Masaaki-Sama é realmente um grande revolucionário!! O que sentimos ultrapassa a emoção: é algo que simplesmente não encontramos palavras para descrever. Homens do mundo inteiro, sigam o exemplo do Masaaki-Sama! O que acham de preparar o gohei mochi — a receita presenteada por ele, assada no braseiro, onde o glorioso corpo de Jesus e o seu precioso sangue expiatório se tornam um — e oferecê-lo para a pessoa amada?