[Sagradas Palavras do Masaaki-Sama] Tangerinas grelhadas no braseiro. É uma tradição de inverno em nossa casa. Como sempre digo, não como saladas. Frutas também são algo que me dou ao luxo de comer de vez em quando. Alguém disse algo com o qual concordei profundamente: a chave para a saúde está na transição de alimentos em katakana [ideogramas japoneses usados para escrever estrangeirismos] para alimentos em hiragana [ideograma usado para escrever termos que nasceram no Japão] e kanji [ideogramas chineses]. Do pão para o arroz; das sopas ocidentais para a sopa de missô; do iogurte para conservas de verduras e legumes; do café para o chá. Imaginem só: não seria antinatural que um italiano consumisse arroz com ameixa em conserva, tomasse sopa de missô e bebesse chá toda manhã? No entanto, no Japão moderno, tornou-se completamente normal que japoneses tomem café pela manhã e comam pão com iogurte. Passando manteiga e geleia alegremente. Poderia haver cena mais cômica do que essa? É o resultado da colonização alimentar. É a manifestação da política de ocupação do estômago. O que quero dizer é que, se os japoneses forem comer frutas, seria natural comer maçãs e tangerinas, não frutas com nomes estrangeiros como banana ou abacaxi (embora maçãs e tangerinas também não sejam nativas do Japão, mas acho que vocês entendem o que estou querendo dizer). Em nossa casa, também comemos tangerinas in natura. No entanto, desde tempos antigos, havia a sabedoria de usar Hibachi ou Shichirin [Hibachi e Shichirin são braseiros tradicionais japonês de carvão, e nesta ocasião o Masaaki-Sama usou o braseiro Shichirin] para assar frutas, pois comer frutas cruas pode esfriar demais o corpo. Soube que no caso das tangerinas assadas, às vezes até se coloca sal pelo cabinho. Diz-se que as tangerinas assadas, se comermos também um pouco da casca, têm o poder de curar o sistema respiratório, como garganta e pulmões, que são facilmente afetados no inverno. A respiração fica mais leve. Bom, vamos ao tema principal: o sabor. O umami da tangerina fica tão concentrado, e faz pensar: “Será que é um bolo de tangerina?”, de tão exuberante. Descascando a casca quente dizendo "ai, que quente!", e colocando um gomo na boca, ela se enche de um suco de tangerina intenso que transborda. Pode ser uma expressão comum, mas trata-se de sabor emocionante. Decidi experimentar também um pouco da casca. É levemente amarga, mas combina bem com a polpa. Mesmo sendo uma tangerina que bastaria descascar para comer na hora, é preciso conter com todas as forças o impulso de “querer comer agora” e, dedicar-se tempo para cozinhá-la no fogo. A casca vai ficando escura e o suco quente começa a transbordar de dentro. Poder saborear depois de todo esse processo, é tão especial a ponto de ser indescritível. As fantásticas tangerinas assadas, com a umidade evaporada, podem ser rejeitadas por quem come carne. Sentirão que a tangerina em estado natural é melhor. Por quê? Porque, devido ao consumo de carne, o sangue fica espesso e o corpo não pode deixar de buscar líquidos. Não pode deixar de buscar frutas cruas. Não pode deixar de buscar saladas. A razão pela qual os japoneses consomem tantas saladas ocidentais, que originalmente não faziam parte da sua cultura, é que o corpo busca líquidos para limpar o sangue contaminado pelo consumo de carne. Ou seja, o desejo por saladas, o amor por saladas, é, em certo sentido, uma força irresistível para os carnívoros. Presumo que a razão pela qual recentemente se incentiva o consumo ativo de água seja devido ao mesmo motivo. Afinal, os japoneses de antigamente certamente não bebiam água em grandes volumes dessa forma. Pensando assim, talvez sentir o verdadeiro sabor delicioso das tangerinas assadas seja um privilégio para os praticantes da dieta vegana. Desejo saborear, com humildade e reverência, as tangerinas típicas do inverno, com sabedoria, criatividade e profunda gratidão. Assim penso, neste dia de inverno. A mesa japonesa moderna, revelada por cada palavra e cada sentença de Masaaki-Sama. Ao lembrar, uma após a outra, a minha própria postura de aceitar cegamente a cultura alimentar ocidental, dizendo que estava fazendo detox bebendo grandes quantidades de água, não pude evitar a sensação de estar recebendo um tapa na cara. Sentimos apenas transbordar o sentimento de gratidão em nosso coração pelo fato de o Masaaki-Sama compartilhar conosco parte do seu cotidiano, que ele chama de “tradição de inverno em nossa casa”, e por nós, nós que nos perdemos na alimentação ocidental, estarmos sendo conduzidos em direção à verdadeira cultura alimentar. Tangerinas com a casca bem dourada sobre a grelha do braseiro. À frente do braseiro, a figura do Masaaki-Sama assando pacientemente a tangerina surgiu com clareza diante dos meus olhos, e essa cena foi aos poucos tomando o coração do repórter. A razão desse impacto não é outra senão o fato de que Masaaki-Sama estar nos mostrando a verdadeira cultura alimentar que nós, japoneses, estávamos a ponto de perder. Além disso, segundo a Mami-Okusama, essas tangerinas foram cultivadas na casa de seus pais, de forma completamente livre de agrotóxicos, fertilizantes e outros insumos, sendo, por assim dizer, um produto da Agricultura do Masaaki-Sama. O momento de esperar que as tangerinas assem em frente ao braseiro. Quando vivenciarmos esse momento seguindo o exemplo do Masaaki-Sama, acredito que a verdadeira cultura alimentar japonesa, que estava sendo perdida, ressurgirá dentro de nós. Que nós também experimentemos esse sabor tradicional japonês que o Masaaki-Sama chamou de "sabor emocionante", e que, de agora em diante, assemos tangerinas no braseiro todos os anos, tornando isso também uma tradição de inverno para nós! Um luxo chamado tangerinas grelhadas! 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