Sagradas Palavras do Masaaki-Sama O arroz morre no exato momento em que passa pelo polimento. Caso não seja polido e seja mantido no estado do arroz integral, há nele o poder de germinação, e o arroz ainda está vivo. Todas as manhãs, minha esposa pega o arroz integral da caixa onde o armazenamos, mede a quantidade e o transporta até a máquina de polimento caseira de arroz. O exato instante em que o arroz integral é colocado na máquina de polimento caseira de arroz e é polido: esse é precisamente o exato momento em que o arroz é morto, o momento em que pegamos a vida do arroz. Uma vez que o arroz é polido, já não há mais um segundo a perder e nenhum momento que pode ser desperdiçado. Logo após o término do polimento, o arroz deve ser imediatamente colocado de molho e, depois de ficar de molho, cozido imediatamente na panela de barro. O que quero dizer aqui ao usar a palavra “imediatamente”, é precisamente que é para ser feito imediatamente. O que pode ser feito para que o arroz seja colocado de molho tão logo seja polido? O que pode ser feito para que o arroz seja imediatamente cozido tão logo seja colocado de molho? Minha esposa fica face a face com esse sério desafio todos os dias. O arroz que foi polido entra em oxidação em uma fração de segundos. A oxidação, como todos devem saber, é a ferrugem, o que, em outras palavras, é o envelhecimento. Se o arroz que é consumido diariamente é oxidado, está na cara que o corpo também oxida. Está na cara que ele enferruja. Está na cara que ele envelhece. Minha esposa, pensando na saúde e da vida da família, dá importância ao que pode ser feito para que o arroz que foi polido seja rapidamente colocado de molho. “Como lidar com os cereais, que Meishu-Sama disse que são os ‘principais nutrientes’?” Isso, determina a qualidade de cada refeição feita em um dia, se será boa ou ruim, e é com esse sentimento que a minha esposa, Mami, se devota ao cozimento do arroz diariamente. Uma vez que a alimentação que fazemos todos os dias se torna o nosso sangue e carne, que o sangue determina o nosso humor e que o nosso humor ocasiona uma grandiosa influência no rumo da nossa vida, e como o arroz é o alimento principal para nós que somos japoneses, não é um exagero dizer que a maneira como o arroz é cozido diariamente determina a nossa vida. É isso o que eu penso. Para nós, o povo japonês, cozinhar o arroz na panela de barro diariamente é um ato que é o centro do nosso cotidiano, a sua coluna. Precisa ser. Caso não pratiquemos isso com seriedade, o nosso cotidiano, nosso relacionamento com outras pessoas e nossa vida serão afetados, e não conseguiremos ser felizes. É isso o que eu penso. Meishu-Sama disse que os cereais são principais e que é um erro sofrer preparando acompanhamentos. Isso significa que, antes de dizer: “Leva tempo para preparar alimentos veganos”, “Não sei o que preparar como acompanhamento” ou “Tem poucos acompanhamentos para a refeição”, o mais importante é encararmos, com seriedade, o arroz que é o principal nutriente. Antes de dizer que “sou vegano e por isso vou comer salada” ou “quero aprender várias receitas veganas”, creio que seja necessário, primeiro, diariamente dedicamos toda energia no cozimento do arroz corretamente. Creio que seja isso o que Meishu-Sama está nos dizendo. Mesmo em relação aos senhores que estão praticando a dieta vegana japonesa, se for possível, gostaria que, sem falta, todos adquirissem arroz integral, calculassem o tempo necessário até a refeição e, sem desperdiçar um segundo sequer, façam o polimento do arroz, o coloquem de molho e o cozinhem na panela de barro. Gostaria que todos se voltassem com todas as forças para esse procedimento que, à primeira vista, pode parecer algo muito fácil. A expectativa que surge enquanto o arroz, ao qual depositamos toda nossa força, está sendo cozido na panela de barro, a satisfação no momento em que abrimos a tampa da panela do arroz recém cozido, e a emoção no momento em que o saboreamos na prática – isso é algo que transcende as palavras e não há como deixar de sentir que esse é o momento em se atinge o cume da alegria de viver. Além disso, os seres humanos não vivem só de pão e, por isso, assim como os doze discípulos de Jesus receberam o pão de Jesus na Última Ceia e o comeram como se fosse o seu corpo, espero que nós, japoneses, comamos o arroz em nossas refeições diárias, não como matéria física, mas, como sendo algo pelo qual recebemos o corpo ressuscitado de Jesus. Gostaria que tivéssemos este tipo de santa refeição, esta santa ceia, estas refeições preciosas todos os dias com humildade. Isso porque, para o povo japonês, o corpo e sangue de Jesus não é o pão e o vinho, mas sim, o arroz e a sopa de missô.