Ainda está fresco em nossas memórias o fato de a Igreja Messiânica Mundial, na reunião da diretoria executiva realizada no dia 12 de setembro de 2017, ter tornado público o fato de que havia seguido, grampeado conversas e filmado secretamente Kyoshu-Sama em Tóquio: que Kyoshu-Sama e sua esposa se encontravam todas as semanas em Tóquio com um amigo cristão e estavam estudando sobre o cristianismo. A Igreja Messiânica Mundial vazou, intencionalmente, essas informações para vários meios de comunicação, o que ocasionou a sua publicação em uma revista de tiragem semanal. Além disso, a Igreja Messiânica Mundial publicou o conteúdo que filmou secretamente na página da Igreja na internet e no website da sua Igreja Filial, a Igreja Messiânica Mundial – Igreja Izunome. E ela foi além disso, vazando, intencionalmente, esse vídeo e o tornando público no YouTube para que qualquer pessoa pudesse assistir. Embora a Igreja Messiânica Mundial seja uma organização que acredita em Meishu-Sama, que se esforçou para acabar com o mal do mundo, ela cometeu atos malignos que vão contra esse espírito e não tem o direito de falar sobre a fé em Meishu-Sama. Por outro lado, como os atos cometidos pela Igreja Messiânica Mundial são vistos aos olhos das pessoas na sociedade? Será que o ato de seguir, grampear conversas e filmar secretamente alguém, que eles tentam justificar, é realmente legítimo? O Departamento de Comunicação da Igreja Mundial do Messias entrevistou um acadêmico especializado em ética social, pedindo a ele que nos contasse a sua opinião partindo de um ponto de vista neutro e objetivo. Publicamos aqui nossas perguntas e suas respostas na integra. ---------------Pergunta: Eticamente falando, é possível dizer que o ato de seguir, grampear conversas e filmar secretamente alguém é correto? Resposta: Em termos gerais e éticos, não é possível dizer que esse ato esteja correto. Existe a grande possibilidade de um ato como esse constituir em uma invasão de privacidade e dos direitos fundamentais de terceiros, e são claramente definidos como atos que violam as leis. 1. Ponto de vista éticoMonitorar os movimentos de outras pessoas sem o seu consentimento ou registrá-los de forma sorrateira é um ato considerado como uma violação da liberdade e da dignidade, bem como uma invasão de privacidade. Eticamente falando, respeitar o direito dos outros é fundamental e qualquer ato que vai contra isso é injustificável.Se o objetivo desses atos for uma intenção maliciosa, ou obter benefícios pessoais ou organizacionais, isso faz com que seja um caso ainda mais maligno. Existem casos, como parte de investigações criminais, que são vistos como problemáticos se não forem feitos dentro de uma estrutura ética e seguindo os trâmites apropriados para que isso aconteça. 2. Ponto de vista jurídicoNo Japão, filmar secretamente alguém é evidentemente considerado um crime. O ato de invadir a privacidade alheia pode ser considerado como uma contravenção leve e a maioria das províncias em todo o Japão possui leis preventivas contra o incômodo causado pelo ato de filmar secretamente alguém em locais públicos ou em situações nas quais as pessoas não esperam que isso aconteça. Em casos como o de a pessoa que denuncia monitorar por meio de imagens e áudio, a fim de expor irregularidades organizações, existem exceções que podem ser justificadas em termos de interesse público, mas isso se limita a casos que visam proteger-se de um grande perigo. Pergunta: A diretoria executiva da Igreja Messiânica Mundial seguiu, grampeou conversas e filmou secretamente o Kyoshu, que é o símbolo religioso da Igreja e neto de Meishu-Sama, tornou público aos membros os momentos de privacidade nos quais ele se encontrava com um amigo, e expulsou o Kyoshu da Igreja Messiânica Mundial porque esse amigo é cristão. Eticamente falando, um ato como esse é correto? Resposta: Eticamente falando, há um grave problema nisso. O ato de seguir, grampear conversas e filmar secretamente alguém é o mesmo que cometer uma grave invasão da privacidade alheia. Mesmo se tratando de alguém que esteja na posição de um Kyoshu, um símbolo religioso, seus direitos humanos básicos como indivíduo devem ser respeitados. Mesmo que a pessoa tenha um papel público como Kyoshu, monitorar os seus momentos de privacidade é uma violação da sua dignidade pessoal.Além disso, interpretar maliciosamente e tornar público o resultado de um monitoramento – monitorar momentos privados de interação com outras pessoas – pode ser visto como um ato que fere a honra do Kyoshu e do seu amigo, ou seja, pode ser visto como um ato intencional de difamação.Tanto a crítica que tem como pretexto esse amigo ser cristão quanto tornar isso público, como sendo algo que tem relação com o Kyoshu, pode ser visto como um incentivo à discriminação injusta e ao preconceito. Condená-lo tendo como pretexto o encontro com um amigo que pertence à determinada religião é considerado como um ato que nega a liberdade religiosa. A Igreja Messiânica Mundial, por ser uma organização religiosa que tem interesse público, precisa valorizar a harmonia e cooperação com outras religiões. Os atos que ela cometeu podem ser considerados contrários ao espírito de uma organização que tem interesses públicos.Ademais, atos como esses, que foram cometidos pela diretoria executiva da Igreja Messiânica Mundial, podem fazer com que as orientações religiosas e morais da Igreja Messiânica Mundial, direcionadas aos seus membros, se transformem em algo que não condiz com os seus atos, bem como fazer com que a liderança ética da Igreja se perca, e toda a credibilidade da Igreja se desfaça.O fato de a expulsão do Kyoshu ter ocorrido com base no resultado de um método como o de seguir, grampear conversas e filmar secretamente, levanta dúvidas com relação a sua legitimidade. Está claro que o ato de seguir, grampear conversas e seguir secretamente não tem como base a transparência e o padrão ético dentro da Igreja. Certamente isso despertará a desconfiança nas pessoas de fora.Concluindo, o ato de seguir, grampear conversas e filmar secretamente alguém não pode ser considerado eticamente correto e, pelo contrário, causa grandes prejuízos à dignidade e aos ideais da Igreja. Se levarmos em consideração que as organizações religiosas devem ser um exemplo para a sociedade, certamente um ato como esse será severamente criticado. Pergunta: Sendo esse o caso, o que a diretoria executiva da Igreja Messiânica Mundial fez é um grande problema para ela, uma organização religiosa que enfatiza ao mundo a criação de uma sociedade melhor, não é mesmo? Resposta: Sim, é exatamente isso. Uma organização religiosa como a Igreja Messiânica Mundial carrega consigo o papel de mostrar aos membros e à sociedade uma ética moral, bem como objetivar uma sociedade melhor. Se a diretoria executiva dela cometeu o ato de seguir, grampear conversas e filmar secretamente alguém, então, isso é um grande problema.O ideal que a Igreja Messiânica Mundial tem, segundo a sua página na internet, está baseado em uma visão muito prestigiosa: a construção do Paraíso Terrestre. No entanto, o ato de seguir, grampear conversas e filmar secretamente alguém é, evidentemente, contrário aos seus ideais.Em vez de ser uma personificação do Paraíso perante os membros e a sociedade, o ato de monitorar outras pessoas e invadir a sua privacidade é uma mensagem completamente oposta a isso e ocasiona um bloqueio do sentimento de fazer com que as pessoas da sociedade queiram ingressar na Igreja Messiânica Mundial.Além do mais, como as organizações religiosas existem com base na confiança que recebem de seus seguidores, uma vez que atos como esses chegaram ao conhecimento dos membros, a confiança em tudo na Igreja deve ter sido abalada e presume-se que o número de pessoas que deixarão a Igreja está aumentando.Conforme a minha resposta à primeira pergunta, invadir a privacidade de uma pessoa pública como o Kyoshu é eticamente inaceitável. Caso a pessoa que estiver na posição do Kyoshu for monitorada, tendo como motivo o fato de se encontrar com pessoas de outra religião, há o risco de que a mesma lógica seja usada para monitorar os membros e os diretores, o que pode ser considerado como um abuso da posição pública de diretor executivo da Igreja Messiânica Mundial.Digo mais: tornar público aos membros o resultado de um monitoramento pode incitar desconfiança, gerar intrigas ou divisões dentro da Igreja e considerar como um probelma o fato de haver um amigo cristão e, em particular, pode encorajar a intolerância religiosa.Antes de mais nada, as organizações religiosas são instituições de interesse público que fornecem orientação moral à sociedade. Existe a possibilidade de ela perder a confiança dos membros e de toda a sociedade se os atos de monitoramento vierem à tona. Condenar alguém tendo como razão a existência de um amigo cristão obstrui o diálogo e a coexistência com outras religiões. Caso a diversidade religiosa seja desrespeitada, isso pode resultar no aumento da tensão entre as religiões. Além disso, o ato de seguir, grampear conversas e filmar secretamente alguém indica a existência de um problema de visão ética e de diretriz administrativa dentro da Igreja. O fato de a diretoria executiva ignorar o diálogo com os membros e com o Kyoshu, optando por um método radical como o monitoramento, evidencia a escassez de um processo no qual as decisões são tomadas de forma saudável dentro da Igreja, bem como uma falta de conformidade.Aos olhos da sociedade, se o ato de monitorar for usado para expulsar o Kyoshu, isso é simplesmente visto como parte de uma disputa de poderes, o que distorce a verdadeira missão e o propósito da Igreja.No ato de seguir, grampear conversas e filmar secretamente, cometido pela diretoria executiva da Igreja Messiânica Mundial, existe um grande problema quando trazido à luz dos ideais e a ética da Igreja, bem como com a sua responsabilidade social. A organização religiosa é uma existência que precisa mostrar um exemplo moral aos membros e à sociedade. Um ato como esse não só abala os valores da Igreja, mas também pode levar à perda da confiança dos membros e da sociedade. A Igreja Messiânica Mundial precisa explicar isso aos membros e à sociedade de maneira sincera e honesta, e também pode se dizer que os membros, por sua vez, precisam avaliar de forma crítica os atos cometidos pela Igreja e buscar por melhorias.--------------- Esse é o conteúdo das perguntas que fizemos e das respostas que recebemos. Compreendemos que, mesmo na perspectiva de um acadêmico, o ato cometido pela Igreja Messiânica Mundial de seguir, grampear conversas e seguir secretamente, não pode ser justificado e consiste em um grande afastamento tanto da ética quanto do senso comum. A Igreja Messiânica Mundial ainda não fez uma explicação adequada sobre esses atos perante a sociedade. Será que uma organização como essa pode ser chamada de uma organização de interesses públicos? Conforme a lei que rege as pessoas jurídicas religiosas no Japão, está determinado que uma pessoa jurídica religiosa precisa obedecer ao seguinte: “Esta lei define que o principal objetivo das organizações religiosas é propagar a sua doutrina religiosa, realizar cultos e formar e doutrinar os membros [...]”. No entanto, a Igreja Messiânica Mundial, tendo como objetivo uma administração organizacional centralizada nos diretores executivos, e não em Kyoshu-Sama, cometeu o ato de seguir, grampear conversas e filmar secretamente Kyoshu-Sama para, por fim, expulsá-lo. Esse e outros atos são condutas que estão claramente fora do objetivo expresso na lei que rege uma pessoa jurídica religiosa. Nessa Igreja, já não existe mais o interesse público como uma pessoa jurídica religiosa. O que há nela é a privatização da Igreja e das obras de arte do acervo do Museu MOA, bem como a autopreservação da sua diretoria. Enquanto existirem grupos de organizações religiosas que causam males sociais, como a Igreja Messiânica Mundial, e, antigamente, a Aum Shinrikyo, o preconceito contra as organizações religiosas por parte da sociedade em geral certamente nunca se findará. A Igreja Mundial do Messias, objetivando o fim de um mal social como esse, pretende continuará divulgando a verdade sobre a Igreja Messiânica Mundial, corrigindo o estado no qual ela se encontra.